segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Minha Querida

Que há, minha querida,
nesse piano que tocas?
Que há mais? Do que peças
que pedimos?
Sons que imaginamos ouvir...

Sinto-me com sorte
por me sentar ao lado desse
piano,
onde as gentis mãos
tocam as severas teclas,
onde o branco e o preto
parecem tão distintos
e não existe nenhum cinzento...

Adoro ouvir-te.
Nem que seja a rir,
por cinco segundos
escassos,
esquecidos do cinzento
e monótono,
quebrados por esse mesmo rir.

Sinto-me com sorte,
porque me atrevo a sonhar...
Junto deste piano,
junto de ti, minha querida.

Festa, Bolo e Velas

Vejo uma mesa,
repleta de novidades
longe de saudades
perfeita e por decorar.

Que me dizes?
Tenho aqui um bolo,
uma festa em teu nome
de certeza que irás gostar.

Vamos decorar esta mesa.
Em seu redor,
irei sentar todos
os que estão
quer seja um bom, ou mau dia.

O mais pequeno irá decorar
o bolo com as velas,
chamas quentes dos abraços
que ele certamente te dará.
Os restantes irão, como tu,
olhar para ele.
Não vá ele sujar-se de bolo!

Uivante.

São estrelas que colidem.
Esmagam sonhos no vazio
com que sonho todos os dias,
nestas distantes saudades
do ar, que senti,
que por momentos senti
junto de mim.
Expiro-o para mim...
sou egoísta.

Revelo-me perante o escuro
mais negro que preto,
mais fraco que brancos,
pálidos suspiros
que me roubam de mim.

Tudo nisto é a distância
do meu ser,
é a saudade do meu viver,
é o vazio de nada ver.
Um cego, cegado pelo negro
que ele cria
em cada andar,
feito de pesar
que não se mostra.
Sou um forte fraco
porque em tanto que seguro,
e em nada posso ser segurado.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Caminhante

Sem sol que seria do meu mundo,
tão pequeno?
Que seria da terra onde estou
se um sublime brilhar
não se atrevesse a estar?
Um iluminar
que me toca
todos os dias,
mesmo sem nunca cá presenciar
o momento em que os meus olhos
descolam para um novo dia.

Tenho mil pensamentos
que correm neste mar
onde nada existe.
Se nada existe então
algo existe,
existe o nada, o silêncio
das vozes que vieste silenciar.

Ajuda-me aqui a imaginar
um momento
onde tudo é um detalhe
que conheci
sem saber.
E nesse detalhe perco-me,
como um viajante sem rumo
abraço a cidade do teu ser.

Perco-me nos passos que desconheço,
peço direcções e sigo setas
até chegar ao centro
ao coração dessa cidade.
Estarás lá.
A tua presença
será o detalhe que mais
me fascinará.

O que se passa

Que dias despidos de razão
de sentir, de emoção
de qualquer uma vontade
ou sequer liberdade
para me moldar o caminho.

Até que uma luz,
pequena brilha.
há algo nessa luz
que me mantém colado a ela.

Pode não ser a altura ideal
mas quando é que existe
momento certo?
Momento onde partilhar
um segredo que existe?

Os meus segredos
são suplícios
doces da vaga ternura
que tento pulverizar sobre
o meu olhar.

Olho para esta luz,
neste dia, nesta noite
não tão fatídica
agora que ela está presente.

Dar-te-ei um dia que
nunca termina.
Deixa-me ver para além
desses fabulosos olhos
que não consigo alcançar.

Dar-te-ei uma vida
longe de perfeita
mas toda ela vivida
rica de tudo o que
posso dar.

Dar-te-ei o que sou.
Um guardião que em sigilosos
passos,
conheceu cantos de casas
de igrejas
de selvas e fronteiras,
raros e comuns lugares
cada um individual e colectivo
na sua própria forma...
Com esses lugares
Cheguei de algum modo a ti.

Levanto-me do quarto
e nas telhas proclamo tudo.

Não sou messias
mas profetizo
que serei feliz
se não negar
o "algo" que há entre nós.
Se aspirar a juntar o teu céu
ao meu.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sigilo

Escassos empurrões,
que não comovem multidões
são dados de modo
a seguir o que há
por detrás da bela fachada.

Vá... já é tempo
de cessar com o fogo
de artificio
que fazem perante os estranhos,
que balançam entre os desconhecidos
onde a imagem aparenta ser um espelho
do que não é conseguido.

Já é tempo de cessar
com os empurrões
os regateamentos de emoções.

parem de me empurrar...

Fico sentado quieto no meu canto.
Paz? já não a dou...

Guardo a pouca que tenho para mim.
Sou egoísta, e cruel.
Abraço a minha almofada
e tenho sonhos cor de mel,
desenhados de doçura.

Um dia chegará a minha vez.
Irei conseguir dormir a noite
sem ser assombrado pelo dia seguinte.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um Pedido

Não te digo,
Prefiro manter em segredo
a cara que faço quando sonho te ver.
Porque sei que não tenho poder
para concretizar esse meu sonho...
Por agora.

Não te digo,
prefiro manter em segredo
o que tenho para te dizer.
Prefiro que o oiças de mim,
todas as letras que soltarei
num dia que não terá fim.

Prefiro não contar
tudo o que há para dizer,
todas as historias que direi.
Tanto existe para aprender,
há tanto ainda para descobrir
porquê apressar o que ainda
pode nos fazer sorrir?

Lê bem isto.
Não te digo para te desafiar,
Atreve-te a sonhar.

Tenho metade de um coração
que prefere não dizer,
e outra metade que grita
tudo o que há.
Se estiveres atenta vais ouvir
o que sonho quando estou a dormir.