sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pequeno Desenho

Sopram ventos de todas as direcções.
Sopram suaves ventos
de pequenos momentos
onde me limito a desenhar.
Um esboço
perder-me em ti, em luzes
de palavras numa voz terna,
tão meiga como um afagar de cabelos
ou um suspirar suave...

E nesses sopros tento enternecer,
o pequeno sorriso que despertas em mim.
A grande vontade que acordas,
como gigante preso em tão pequeno corpo...

Desenho com cuidado,
nunca tive jeito para rabiscar
e estou cansado de tanto andar a apagar,
de tanto arredondar
para ficar tudo tudo perfeito:
Um desenho imperfeito
feita de perfeita vontade
de te mostrar
o que penso,
o que imagino ou sonho ser
o que será momento tão feliz da minha vida.

"Olha.."digo eu enquanto levanto
este meu pequeno rabisco de nós dois
abraçados, a sorrir.

domingo, 4 de abril de 2010

Vislumbres

Vejo em vislumbres muito pequenos,
serenos momentos que decido abrandar ainda mais.

Tudo me passa pela retina, semi molhada de brilho,
semi cheia de sonhos, semi feita de vento
que deseja envolver-te.

E nesse momento,
tudo faz sentido
tudo perde o nada que me dizes
ser.

Porque o nada irá concretizar-se.
E eu te beijarei no além,
no limiar da minha imaginação
tornada verdade.

Meu sonho? És tu meu amor.
Meus olhos, minha retina vê,olha apenas para ti.

E confiante em meus passos estou
porque lá ao fundo, vejo cada segundo a escapar-me
como areia,
cada momento a sair como bala fugida
de arma perdida,
cada momento que passa,
está mais perto a tua chegada.
Mas mesmo assim abrando esses segundos
esses momentos que passam,
neles, aprecio cada momento.
Meu amor. Como é tudo tão belo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Monumento

E foi assim.
Desta forma nada habitual,
que me encontro
na minha sala de espelhos,
já nada desfeitos
feitos de luz.

Onde será?
que está esse sol
que me ilumina?
Que me mostra
os passos que já dei
e os que irei dar
neste caminho
construído na certeza
mas cheio de inconstante beleza.

Revejo-me nestes pedaços
de espelhos que quebro
eu com minhas mãos
sem sequer duvidar
do que existe em frente.
Como quem deixa de ser demente
arrisco a levantar o que ainda existe.

De sorriso feito parvo,
penso em construir um pequeno monumento
feito de todo o benevolente
pensar que me ofereces
com o teu jeito.
Construo o meu pequeno monumento,
em todo o pequeno momento
que desejo dizer-te o que estou a pensar.

Em teus braços, sou eu e apenas eu.

domingo, 7 de março de 2010

Certeza das incertezas

Conto com mãos largas
todos os momentos de incerteza,
todos tecidos pela tristeza
do olhar que nunca vi,
do sonho que nunca tive
dos braços que nunca senti.

E nesta vida onde as certezas são
incertezas,
onde os riscos fazem de homens
verdadeiras proezas,
Suspiro a um divino sorrir
que oiço do outro lado.

Não estás aqui, mas estás.

Sinto-o, sinto-te em cada passo incerto
na certeza, na falta de dúvida
de que estás aqui.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Que frio estava

Quando sonho
sonho de mente vazia,
como homem sem moradia
que vive em degraus.

Lá sentado, perdi-me neste rasto
que leva-me gentilmente, sem arrasto
nem força que seja demais.

E assim, com olhos desenhados
pelo giz dos teus desgarrados
e brilhantes abraços
que sinto apertados contra meu corpo
frio de nada sentir.
Encontro-me sem ter de fugir...

Sigo o rasto
como quem mais nada vê,
aqui e agora desejo perder-me
Nesse abraço teu que sonho ter.

Estava frio...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tentativa

Ao som deste mar,
sorrio sem ter vontade de o fazer.
Um tolo não perde nada
quando o nada tem,
e sorrir faz sempre com que
tudo pareça mais fácil.

Se sorrir, e fingir
é porque te quero bem.
Não existem motivos
com que te preocupares
nada fica em mim
sem ser as saudades,
o adorar, de um naufragado
abraçar que imaginei vezes
e vezes sem conta.

Sorrir, faz com que pareça mais fácil.
Pena que quando sorria,
uma lágrima brilhe.
Que quando me perguntes
com essas palavras não tão raras,
se consigo olhar em frente
te responda de olhos fechados.

Sorrio, porque uma lágrima cai
para a palma de minha mão.
Ela aquece-me. Ela diz-me
que o que sinto
não é ilusão.

É mais forte que eu,
porque agora sonho
em sonhar contigo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Som de Fundo

Seguro uma caixa
como se nela guardasse a minha vida.
Seguro-a tão gentilmente contra mim,
sem saber o porque reajo assim
contra tudo o que lhe toca.

Imagino que nesta caixa
está uma ponte, tão grande
que me toca
que me liberta
que me faz viajar.
Sonhar Quiçá,
para um monte Olimpo meu.

Mas de que serve ter um monte
tão olimpicamente conseguido
se os salões estão vazios?
Se as estradas estão desfolhadas
de sorrisos?
desmembradas de andares?

é um barulhinho que oiço ao longe...
A minha caixa, abre-se e nada é revelado.
A minha ponte? sou eu que a prego
e martelo neste monte.
Os meus dedos vão doer de tanto falhar
mas vou a construir...
De por onde der...