domingo, 17 de janeiro de 2010

Ponderar

"Este não é recente. foi escrito já a um tempo dentro de uma aula em que não estava presente."

Se ponderas em ponderar,
ponderas se consideras
o que desejas ponderar
importante o suficiente
para ser objecto do
teu indagar.

Em que ponderas?
Teus olhos são
mil enigmas,
teus gestos são
mil puzzles
devidamente espalhados.

Desejas ser um enigma?

Não tenho tempo.
Gosto de Enigmas,
Sem duvida que sempre gostei.
Mas agora estou fatigado
só de tentar resolver aqueles que são meus.

Deixemo-nos de puzzles humanos
plásticos e inúteis.

Deixa-me descansar.
Deixa-me para de ponderar
no que me irá acontecer enquanto a alvorada
se ergue no limiar do mundo,
e eu fujo para o outro limiar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Chegaste

Quando chegaste,
entraste pela porta da frente
saltando o portão
que ele deixou de guardar.

E entre passos vieste ter
com o que foi deixado em momentos,
sem um abraço apertado
para o confortar.

Um olhar, foi exclusivamente
dado com sentimento
suficiente para o assombrar.
Entre um sorrir semi-cerrado
ele olhou para ti.
Sem jeito, depois das noites
que suspirou,
atreveu-se a levantar as mãos
e pediu para sobreviver.

O segredo mais bem guardado dele
é que adora teu olhar,
ele é suficiente para
fazê-lo parar de pensar
nos dementes que muito lhe tiram
sem nada lhe devolver.


Não partas, não.
Aperta-o agora
sê o seu segredo
que rolará entre lábios,
sorrisos desencalhados
que voarão contigo.

Em cada beijo teu
perderá ele uma ferida sua.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nao posso.

Espelhos desfocam
o que sou na realidade
perante tal imagem maldita,
enquanto saboreio o sabor intragável
da culpa, por actos
solitariamente meus.

Vejo-te distante,
mais distante do que estás.
Não é apenas um
oceano que nos separa,
são palavras que não disse
e que disse para me mentir.

Agora resta o que nunca foi,
traços indelicados:
Alimento o andar
com cada passo imbuído de tudo
o que tenho que fazer só.

Não te posso aproximar
mesmo que o quisesses.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Combustão Instantânea

Será que sentes o frio?

Quando ele me envolve
num manto de prata
que me torna rico em
sagradas distancias,
linhas que não devem ser quebradas.

Desenho no chão
com um marcador as fronteiras
do meu ser,
do que sou, do que devo saber.
Mas mesmo ai,
por tanto rabiscar
acabo por me perder
em meus traços que não são dirigidos
por mim.

Por petulantes momentos
onde nada distingo
nem eu nem o outro
Deito-me fogo:
Assim ao menos uma luz
brilhará no meio desta Escuridão.

No lado Cinzento do Arco-íris

Pinto desastres de verde,
ultrajes de segredo e
vontades de nada.

Consegues ver o nome
daquele que não te salva ou
não te toca
nesta hora de ganância?

Nesta imensidão,
pintas um arco-íris
de mil cores
que inventas com teu pensar.
E com essas mesmas mil cores
avanças para onde não vais.

Neste pequeno segredo
que eu ultrajo por ti,
e por ser possuidor do mesmo,
colocas-me no lado cinzento
do arco-íris.

Algures no lado cinzento
onde há céu preto e branco fundidos,
onde as luzes e escuridões,
dão mãos para afastar o que
parece tão bom e tão mau.
Abraçam-se em tréguas.
E eu? Alimento esse teu segredo
que manténs para ti.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Simples

Se respirares algo
será o meu ser
que irás aprisionar
em teus pulmões?
Como eternos flagelos
irás mesmo roubar-me
para teu beneficio próprio,
soltando a carcaça depois
quando não for necessário
quando nada mais houver
para retirares?

Se soprares algo
será o meu ser
que irás soltar violentamente
contra o fogo que arde lá
fora onde não há poder
nem existe o salgado
do teu olhar?

Respira-me e sopra-me.
Toma-me e solta-me.
Eu sou o instrumento
e tu o utilizador.

Laços

Tudo são jogos
onde evitamos fracassos,
desenhamos laços,
para evitar conquistas
de coisas que consideramos
perdidas.

Implicaremos que nada mais é.
Sabes que com essas pequenas
vontades feitas de populares
desenhos como que me laçaste,
alimentas um pequeno lago
feito de enormes lágrimas
soltas e desgarradas.

Não te afastes quando vires um mundo
ardido em água,
perdido em magoa.